
Sebastiana é a Associação Independente dos Blocos de Carnaval de Rua da Zona Sul, Santa Teresa e Centro da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, fundada em 2000 por diretores de alguns dos mais tradicionais blocos de rua da cidade, que em 2010 completa 10 anos.
Tudo começou no Bip Bip, reduto de sambistas, jornalistas e músicos, ali no coração de Copacabana. O Jornal do Brasil havia pautado uma matéria sobre os blocos de rua – primeira de uma série que viriam a partir dali – e sugerido que o ponto de encontro para entrevistas e fotos fosse no Bip.
Naquela sexta-feira de 2000, o JB foi responsável por reunir uma turma que passaria, a partir daquele dia, a formar o primeiro grupo organizado do Carnaval de rua nos anos pós-ditadura.
Estavam lá representantes do Simpatia É Quase Amor, Imprensa Que Eu Gamo, Bloco do Barbas, Escravos da Mauá, Bloco de Segunda, Suvaco do Cristo, Carmelitas, Meu Bem Volto Já, Bip Bip e Clube do Samba.
A Sebastiana surgiu da necessidade de se encontrar, em conjunto, soluções que viabilizassem os desfiles que começavam a crescer, alguns com mais de dez mil foliões. Patrocínios, negociação com fornecedores, estratégia de segurança para os foliões e organização de trânsito eram algumas das dificuldades enfrentadas por todos.
A partir dali, a Sebastiana tornou-se um importante agente no resgate da tradição do Carnaval de rua do Rio e também um local de discussão de políticas culturais.
Formam a Sebastiana os seguintes blocos:
Bloco da Ansiedade (Laranjeiras)
Bloco do Barbas (Botafogo)
Bloco das Carmelitas (Santa Teresa)
Bloco de Segunda (Botafogo)
Bloco Virtual (Ipanema)
Escravos da Mauá (Centro)
Gigantes da Lira (Laranjeiras)
Imprensa que eu gamo (Laranjeiras)
Meu Bem,Volto já! (Leme)
Que merda é essa? (Ipanema)
Simpatia é Quase Amor (Ipanema)
Suvaco do Cristo (Jardim Botânico)
Um bloco de rua, no conceito da Sebastiana é um tipo de cortejo carnavalesco em que pessoas de todas as idades seguem cantando e dançando ao som de um samba e no ritmo da bateria, por um trajeto previamente definido. Totalmente livres, os blocos têm suas características individuais, sua bandeira, suas cores, sua temática, sua camisa. Mas não exigem, em hipótese alguma, que os foliões vistam sua camisa ou qualquer outra fantasia para desfilar. Nos blocos vai quem quer e como pode.
Para os integrantes da Sebastiana, os blocos de rua do Rio precisam manter as características originais do carnaval da cidade: democracia, participação popular e de todos, ausência de cordas e áreas vips para foliões, abadás ou exigência de fantasias.
O que é comum entre os blocos da Sebastiana:
• Bateria com cerca de 50 componentes fixos;
• Bandeira / estandarte;
• Porta-bandeira e mestre-sala;
• Música amplificada por um carro de som;
• Camiseta temática, ano a ano, com ilustração ou charge;
• Um samba autoral, que muda ano a ano;
• Ausência de cordas e área vip, sendo abertos a qualquer folião.
O Carnaval de rua foi introduzido pelos portugueses no século XVI com os Entrudos, brincadeiras que já existiam nas aldeias. Podiam ser familiares quando aconteciam dentro das casas e eram caracterizadas pela presença dos limões de cheiro (pequenas bolas de cera recheadas de águas perfumadas) que os jovens lançavam entre si. Já os entrudos populares tinham brincadeiras mais violentas como arremessos de líquidos de origem “duvidosa” lançados pela população escrava e pobre pelas ruas do Rio. Mais tarde, no século XVIII, a folia ganhou forma de Ranchos organizados pela classe mais alta. Os Ranchos desfilavam com porta-estandarte e mestre-sala. A enorme rivalidade entre eles podia causar confusão quando, por exemplo, o estandarte de um era roubado por um componente de um rival. Naquele tempo, o mestre-sala desfilava armado de navalha para proteger o pavilhão de sua agremiação.
Coexistiam com os Ranchos, os Cordões, mais populares e formados por grupos de foliões mascarados de palhaços, diabos, reis, rainhas, índios, baianas conduzidos por um mestre obedecendo a um apito. Apesar do espaço, mas uma grande fileira de foliões formando um imenso “cordão” humano. Seu conjunto instrumental costumava ser exclusivamente de percussão. Em 1918 surge o Cordão do Bola Preta, que na verdade não era um cordão, mas sim um bloco que desejava, segundo seu próprio estatuto, "reviver as tradições dos antigos cordões", uma mostra de que estes já estavam praticamente extintos na cidade. Mal vistos pela elite intelectual do país, bem como pela Imprensa, os Cordões começaram a se denominar blocos, ou se transformaram em Ranchos.
Com a Semana de Arte Moderna de 1922 e a Revolta do Forte de Copacabana, os anos 30 chegaram com Getúlio Vargas no poder e a cultura nacionalista foi fortemente difundida. O berço dos blocos de Carnaval como conhecemos atualmente não poderia ser outra cidade que não o Rio de Janeiro, capital do país. Ricos e pobres brincavam livremente pelas ruas da cidade ao som das marchinhas que como crônicas musicais satirizavam e enalteciam os costumes cariocas. Um bloco carnavalesco pode ser denominado como um conjunto de pessoas que desfila vestindo fantasias, ou do modo que mais lhe agradar. Mais democráticos ficavam (socialmente falando) entre os elitizados Ranchos e os freqüentemente condenados Cordões. É essa característica ambivalente que os faria a inspiração para os grupos de samba que buscaram a aceitação da sociedade no final da década de 1920 e que passaram a ser denominados de escolas de samba a partir da década de 1930.
Os primeiros registros de blocos licenciados pela polícia no Rio de Janeiro, datam de 1889. Alguns deles: Grupo Carnavalesco São Cristóvão, Bumba meu Boi, Estrela da Mocidade, Corações de Ouro, Recreio dos Inocentes, Um Grupo de Máscaras, Novo Clube Terpsícoro, Guarani,Piratas do Amor, Bondengó, Zé Pereira, Lanceiros, Guaranis da Cidade Nova, Prazer da Providência, Teimosos do Catete,Prazer do Livramento, Filhos de Satã e Crianças de Família. Na década de 60, surgem o Cacique de Ramos, o Bafo da Onça outros tantos que reuniam milhares de cariocas fantasiados, ao som de sambas curtos e fáceis.
Ano de 1964 - A ditadura bem que tentou calar o samba que de marginalizado passou a estar presente em todas as classes sociais e mídias. O Rio de Janeiro foi um dos locais de maior luta e resistência à ditadura. Os blocos resistiram também. O primeiro a ser criado em 1965 foi a Banda de Ipanema idealizada Albino Pinheiro. Nos anos 80, durante o período de abertura que marcou o fim do regime autoritário, outros blocos como o Simpatia É Quase Amor, Suvaco de Cristo, Bloco de Segunda e Barbas. A partir de 2000 os blocos cariocas têm a maior popularidade de sua história. Doze dos mais tradicionais blocos do Rio se associaram e em 2000 nasceu a SEBASTIANA - Associação Independente dos Blocos de Carnaval de Rua da Zona Sul, Santa Teresa e Centro da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Unindo forças, os ensaios já fazem parte do calendário pré-carnavalesco da cidade.
As camisetas de cada bloco que, em geral, fazem alusão à cena política ou social do momento são assinadas por artistas e também merecem destaque em eventos que reúnem dirigentes e integrantes. As baterias são de boa qualidade e os carros de som mais potentes para que todos possam ouvir as marchas e sambas de ontem e hoje. Porém, o ingrediente mais importante dos blocos de Carnaval do Rio não está em nada material. O que envolve mais de 10, 20, 30 mil pessoas da cidade e do exterior que acompanham os blocos é a irreverência e alegria do povo carioca. Sem cordas de isolamento e sem a exigência de compra de fantasias e camisetas, brinca quem quiser, como quiser e com quem quiser. Hoje, o Rio tem mais de 500 blocos de rua, nos mais diversos bairros da cidade. Vai atrás quem é feliz e quer viver. Bom Carnaval!